O silício, um aliado anti-idade

O silício, um aliado anti-idade

Ocupa o 3º lugar do pódio « abundante » dos oligoelementos no corpo humano, quer isto dizer que não está lá por acaso! no entanto, é o oligoelemento mais esquecido entre os essenciais. Mesmo a nível cientifico científico. Contam-se poucas publicações sobre o silício em biologia (cerca de uma centena).

No entanto, a sua importância na formação do osso é reconhecida desde os anos 70 e muitos trabalhos permitem entender o seu papel biológico e entender as consequências da sua diminuição sistemática com a idade.

O silício, chave do nosso organismo

O silício é um dos constituintes do tecido conjuntivo (tecidos ósseos, da cartilagem, dos tendões, dos músculos, e vasos sanguineos), tecido que representa cerca de 40% do organismo. Também está presente em muitos órgãos tais como o fígado, rins, pulmões, coração…  na pele, no cabelo e unhas.

Tem um pouco o papel de « grande arquitecto ». De facto, permite construir pontes ou ligações entre as moléculas fibrosas conhecidas - elastina e colagénio, queratina- e outras moléculas menos conhecidas, suportes estruturais de todos os tecidos do organismo, conhecidas como proteoglicanos. Assegura também a estabilidade e harmonia molecular, garantindo o normal funcionamento de um órgão e participa por exemplo na elasticidade da pele, vasos sanguineos e tendões, na solidez dos ossos e das cartilagens1-2.
O silício contribui também para a regulação da distribuição e da fixação do magnésio e do cálcio, melhorando a sua sinergia por exemplo na calcificação do osso.


1.Nielsen et al. Update on the possible nutritionnal importance of silicon.Int. J Endocrinol.2013 ; 2013 :316783.
2.Rodella et al. A review of the efffects of dietary silicon intake on bone homeostasis and regeneration. J Nutr Health Aging 2014 Nov ; 18(9) :820-6.

Silício mineral, ácido sílico ou ortosílico: quais são as diferenças?

O silício mineral é composto por um átomo de silício e 2 átomos de oxigénio SiO2. Insolúvel na água, não é assimilável pelo organismo.

O ácido sílico é a forma molecular de origem vegetal: a silícia mineral é transformada por algumas plantas em sílicia vegetal ou ácido sílico ou ortosílico. É nesta forma hidrosolúvel que o silício elemento é absorvido muito melhor a nível intestinal, transportado no sangue, eliminado nas urinas.

O meu cabaz • prato-ricos em silício

O ácido ortosílico constitui a matéria prima na edificação dos troncos, folhas e raizes de todas as plantas. Legumes, cereais, leguminosas, frutas e frutos  secos, oleaginosas constituem um aporte alimentar de silício. As plantas são naturalmente ricas em silício :  cavalinha, urtiga, bambu…

Parcialmente solúvel, o silício (que combinado com o oxigénio e o alumínio, constitui o essencial das rochas sedimentárias) encontram-se nas águas de infiltração que dão nascimento às águas « ricas em silício » (ler as rotulagens).

Nas bebidas, a cerveja (consumir com moderação), o café e o chá contêm silício.

Alguns exemplos



Quantidade de silício
100 g de cereais completos 10,7 mg
200 g de pão branco 3,38 mg
200g de pão completo 4,50 mg
200 g de arroz integral 4,14 mg
200 g de batatas novas 0,58 mg
200 g de cenouras 4,58 mg
250 g de ervilhas 6,10 mg
250 g de banana 13,6 mg
100 g de uvas 8,25 mg
Água mineral ½ L 3,44 à 7,23 mg
Cerveja ½ L 8 mg*
Source : Diatary silicon intake and absorption. Jugdaohsingh et al. Am J Clin Nut. 2002.
* Harry Robberecht et al.International Journal of Food Properties .Volume 11, 2008 - Issue 3. Silicon in Foods : Content and Bioavailability.

Um nível que diminui com a idade

O corpo de um adulto jovem em boa saúde contém entre 6 e 8 gramas de silício, o dobro do ferro!
Infelizmente, o nosso nível diminui com o passar dos anos, nomeadamente porque está pouco presente na alimentação moderna (cereais refinados, cultura rápida de vegetais com adubos, impedindo uma melhor fixação do silício nos solos…) mas também porque a sua assimilação e toma alimentar diminui com a idade (menos de 20 mg/dia versus 20 a 50 normalmente).


(Jurkic et al. Biologicla and therapeutic effects of arthosilicic acid and some ortho-silicic acid releasing compounds. New perspectives for therapy.Nut. Metab 2013 ; 10 :2).

Para quem, quando, porquê?

• Os seniores prioritariamente, com certeza: participa no metabolismo mineral geral e na edificação das fibras de suporte (colagénio….), o silício é importante, com outros factores nutricionais tais como o zinco, cobre, manganês para o conforto articular e a calcificação dos tecidos ósseos. A nível das paredes dos vasos sanguineos, ricos em colagénio e elastina, este fornece flexibilidade.

• Mulheres na menopausa: o silício interage com os níveis de estrogénios na densidade óssea (resultados de um estudo de cerca de 3200 mulheres com idades entre os 50 e os 62 anos)*.

*Macdonald et al. Dietary silicon interacts with oestrogen to influence bone health : evidence from the Aberdeen Prospective Osteoporosis Screenning Study. Bone 2012, 50(3) ;681-687.

• Todo(a)s o(a)s que queiram manter uma « pele bonita »: a partir dos 40 anos, nota-se uma perda de elasticidade e flacidez da pele que fica com rugas. De facto, a nossa reserva de silício diminui com a idade.

*Jurkic et al. Biologicla and therapeutic effects of arthosilicic acid and some ortho-silicic acid releasing compounds. New perspectives for therapy.Nut. Metab 2013 ; 10 :2.

• Os desportistas: fazem muito uso das articulações, tendões… que precisam de se « regenerar ».

• Aquando uma queda de cabelo, cabelos finos e frágeis, unhas quebradiças: são constituidos por queratina, onde o silício está presente grande quantidade.
*Jurkic et al. Biologicla and therapeutic effects of arthosilicic acid and some ortho-silicic acid releasing compounds. New perspectives for therapy.Nut. Metab 2013 ; 10 :2